Crítica: "Planeta Dos Macacos: A Origem"
Sabe quando você se arrepende por não ter assistido a um filme no cinema? Foi exatamente o que me ocorreu com Planeta Dos Macacos: A Origem.
Um filme tão espetacular merecia ter sido visto na tela grande, essa
reedição de uma das franquias mais clássicas da ficção científica não
deve nada aos outros filmes da série, se mostrando um excelente
blockbuster, com tudo o que se poderia esperar. O longa narra a história
de Caezar, um chipanzé que, para não ser sacrificado (fruto de um
evento ocorrido no filme), é levado até a casa de Will Rodman (James
Franco), um cientista que utiliza os chipanzés como cobaias tentando
achar a descoberta da cura do Alzheimer, doença que, inclusive, acomete
seu pai.
Como já era possível se constatar pela minha
prévia do
filme, em Agosto, essa era uma das minhas grandes apostas para o
segundo semestre de 2011. Como só tive a oportunidade de assistir ao
longa nessa semana eu já tinha noção de que ele havia sido bem recebido
pela crítica especializada, e só faltava meu veredito. Para minha
surpresa,
A Origem se mostrou tudo pelo qual eu esperava e muito
mais. Para começar, o filme dá um show nos efeitos especiais, com
destaque para mais uma incrível performance de Andy Serkis na captura de
movimentos (ele já havia dado vida a Gollum, de
O Senhor Dos Anéis,
e o gorila King Kong, do filme de 2005) mas o mais importante de tudo é
que a narrativa não se torna dependente dessas cenas, como acontece com
a maioria do gênero. Nas performances (além do show de Serkis, já
citado anteriormente), James Franco rende mais uma boa interpretação na
pele do cientista Will Rodman, mesmo que não seja de forma tão
impactante quanto em
127 Horas, de 2010, atuação que inclusive
lhe rendeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Ator (é aceitável se
lembrarmos que todo o elenco de
127 Horas se resume quase que inteiramente a ele).
Um aspecto interessantíssimo que chamou minha atenção enquanto
assistia ao longa é que, ao contrário do que acontece normalmente, eu
torci pelos macacos na sua luta, mesmo que a luta tenha sido contra nós
humanos. Isso me fez pensar questões realmente importantes para o mundo,
questões como se os nossas demandas por avanços tecnológicos e
científicos estão ultrapassando os limites, nos fazendo correr o risco
de liberar o caos como acontece no longa. Pontos como esse são
extremamente positivos num filme que, inicialmente, pretendia ser apenas
mais uma boa dose de efeitos especiais e ação.
Ponto negativo, se existe algum, eu
não reparei. Talvez uma das cenas, mais para a metade do longa, não
tenha tido o impacto que deveria ter (aqueles que viram o filme
certamente vão reconhecê-la), o que me fez tirar meia estrela do filme,
mesmo que não manche em nada com seu brilhantismo. No novo
Planeta Dos Macacos,
o diretor Rupert Wyatt cumpriu todas as expectativas e ainda conseguiu
elevar a série a um novo nível. Se não for pedir muito, gostaria de uma
continuação para a história do chipanzé Caezar, ainda mais depois do
final do filme, que dá abertura para tal.
Planeta Dos Macacos: A Origem é tudo o que deveria ser e um
pouquinho mais: pequenos defeitos não conseguem acabar com a maestria
desse que é um dos principais filmes do ano passado, que mistura de
maneira incrivelmente satisfatória ação, enredo, emoção e efeitos
especiais, com um Caezar tão humano que chega a parecer real. É um filme
que todos deveriam ter assistido no cinema e aqueles que, assim como
eu, não tiveram essa oportunidade, têm que ir à locadora mais próxima e
alugá-lo. O novato diretor Rupert Wyatt dá um belo cartão de visitas,
mostrando ser um profissional com muito potencial.